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sábado, 2 de novembro de 2013

Uísque

repostagem

Te amo como amo um copo de uísque 
gelado ao toque, ao tato 
Mas você o bebe e ele te esquenta 
E o calor vai atravessando, célula por célula 

Te amo como amo um copo de uísque 
No desespero eu procuro – te procuro 
e quero imergir-me no líquido 
Fazer de conta que não houve um dia ruim 

Te amo como amo um copo de uísque 
te amo 
como amo 
um copo 
de uísque 
Te amo como amo um copo de uísque 

Só que, nesse momento, eu preciso mesmo
é de uma cerveja

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O buraco da tomada parece menor do que quando você estava aqui. Ou foi a coordenação motora que desertou do meu barco junto contigo? Se eu pudesse quantificar a dor, numa escala de zero a dez, seria treze. Localizada? Não, definitivamente. Sinto-a na cabeça, no peito, nos braços, no estômago, nas pernas e no saco. Sinto-a na escova de dentes que tu deixou em cima da pia do banheiro. Na tua falta que te faz mais presente do que nunca. Eu conseguia controlar o dinheiro. Mas você foi embora, com a mala azul e a camiseta do Aerosmith rasgada na manga. E eu apenas ouço, com o copo na mão, there's a hole in my soul. E precisando da minha carteira de cigarros que estava sobre a mesinha do computador.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Irremediável

- Velho, tu tá bebendo demais hoje...
- Tô bebendo de menos, isso sim. Mas hein, sabe quando tu se vê na estrada e à tua frente tem dois caminhos?
- Porra, de novo com essa história de indecisão?!
- Não é isso...
- E o que é, então?
- É que, na real, não importa o caminho que tu escolhe.
- Como não importa?
- Não faz diferença, a gente nunca vai chegar ao fim da estrada.

sábado, 2 de abril de 2011

Afogados os botes. E as mágoas, os podres e eu num copo de cerveja. Um, dois, três.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Flash

Recorrente e redundante.

Ouço o som do All Star pressionando os pedregulhos e desejo que esta sensação não finde nunca. Eternamente embriagado, seria eternamente bom. Sigo, sigo andando, braços e mente abertos, sem quaisquer preocupações frívolas que me possam dizer respeito. E que o amanhã demore. Demore bastante. Para que a dor-de-cabeça da ressaca e da normalidade me atinja o mais tarde possível.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Na Chuva

"I'm singin' in the rain, just singin' in the rain.
What a glorious feeling, I'm happy again." ♪♫ 

Fazendo girar o guarda-chuva, caminhava sem se importar com as frias gotas que lhe molhavam o terno amarfanhado. Ouvia a água bater no asfalto e estalar plec-plec no tecido negro, negro como o céu daquela noite pluvial. Dava uns poucos passos, ensaiava uma medíocre mas belíssima coreografia, até sapateava! Um Gene Kelly contemporâneo e embriagado. Ofereceu o braço à senhorita imaginária, vamos, vamos nos divertir. Ao chegarem a uma poça, estendeu o paletó, era cavalheiro. E ria, como ria, com todos aqueles dentes irregulares e brilhantes a exibirem-se, envaidecidos. Aspirou com vontade o perfume floral que emanava da ela abstrata. Cantou um bolero antigo, de que ele lembrava apenas o ritmo. Criava a letra na hora. Tomou-a para dançar, embalados pelo bolero inventado. Não, ele não dava a mínima para os olhares que condenavam. Aliás, não era uma plateia? Cantava e rodopiava, cambaleante, agarrado à cintura da bela dama. Súbito, viu as luzes vermelhas. Uns perturbadores pardos, que não tinham respeito algum a shows, interromperam o bailado. A força e voz, calaram o bolero. E ele foi para casa, sem parceira, sem tú eres mi dueña, amor, sem qualquer vestígio do bêbado encantador que foi até a chegada da polícia.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ébrio

É     B     R     I     O

B            O            I

R     O     D    A     R

I             A           B

O     I      R     B    É