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quinta-feira, 7 de maio de 2015

História de um início de romance

Poemeto de supermercado.

Na seção
Concessão
.
.
.
Uma sessão
.
.
.
Intersecção.




Lembro-me bem deste poema, que escrevi em 2010
depois de uma passada no supermercado.
Após presenciar um encontro e um sorriso, imaginei
o que poderia vir depois
e o utilizei num exercício de concisão e brincadeira sonora.
Na falta de algo novo, posto algo bem velho nesse dia
que, para mim, é especial.
Hoje este blog faz cinco anos.
Seguimos capengando, mas ainda estamos aqui.

sábado, 2 de novembro de 2013

Uísque

repostagem

Te amo como amo um copo de uísque 
gelado ao toque, ao tato 
Mas você o bebe e ele te esquenta 
E o calor vai atravessando, célula por célula 

Te amo como amo um copo de uísque 
No desespero eu procuro – te procuro 
e quero imergir-me no líquido 
Fazer de conta que não houve um dia ruim 

Te amo como amo um copo de uísque 
te amo 
como amo 
um copo 
de uísque 
Te amo como amo um copo de uísque 

Só que, nesse momento, eu preciso mesmo
é de uma cerveja

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Clique

repostagem

Luz acesa
Transfigurando-nos, corpos salgados
num verso alexandrino
Transcendência etérea
Nevoeiro
Memória turva
Torpor orgânico
e químico
Fotografadas suas feições
no álbum nonsense
descontrolado
da minha cabeça

domingo, 4 de novembro de 2012

Contínuo

já quis dizer tantas vezes
tantas vezes o que me faz ficar pra baixo
pra baixo da linha da tristeza
da tristeza que me bate quando estou sozinho
sozinho ando na rua de noite
de noite pensamentos ganham vida
vida nada mais é que um pedido de ajuda
ajuda para acabar com toda a dor
a dor de existir, pura e simplesmente
simplesmente uma pessoa, um ninguém
ninguém nunca me trouxe café na cama
na cama fico o dia inteiro
inteiro ou pela metade, nada faz diferença
diferença só existe na cabeça
na cabeça residem todos os meus amores
meus amores de inverno ou verão
verão do sol sem misericórdia
misericórdia, senhor, eu peço
peço com toda a minha força
força que retiro de não sei onde
onde eu deveria estar?
estar assim é meu cotidiano
cotidiano me bate no rosto
rosto marcado por cansaço
cansaço que se recusa a sair
sair de fininho não é opção
opção é quando se tem escolha
escolha se faz por pensar muito
muito tempo faz que alguma coisa eu já quis

sábado, 27 de outubro de 2012

Si yo a ti mintiera

aunque yo estuviera en otras tierras
viéndote encerrada en tu hogar
y tu voz no lograra romper el océano
telepáticamente estarías conmigo

no me placería mentir
reconocerías la falta de verdad al primer contacto
me cairía de rodillas
ye te vería marchar con una lágrima negra
en la esquina de tu ojo izquierdo

después, en un futuro que se nos mostraría muy pronto
pocas vueltas en el reloj
atrapándole todos los recuerdos
lo único que restaría
sería la memoria de dos espectros que anduvieron a solas

buscando besos
ofrecendo abrazos
y la mentira que te hubiera contado
a torturarme por los siglos que no tienen fín

terça-feira, 3 de julho de 2012

Fonemas #1

venho ver-te
ver-te vindo
vertedouro

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quintal

pés que tomam banho n’água do céu
e mãos que lhes desnudam
frutas, frutos, furtos furtivos
saboreando o agridoce
com o cheiro de infância
e a roupa toda suja

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Momento

             H  O  R  A
    S  E  N  H  O  R  A
    M  E  L  H  O  R  A
          C  H  O  R  A
          A  G  O  R  A
          Á  G  O  R  A
             G  O  R  A  R
                O  R  A  R
                   R  A  R  O
                C  L  A  R  O
                   L  A  R
                   B  A  R
                      A  R
                      A  R
                      A  R

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A Pedra

a pedra estava
no meio do caminho uma pedra
caminho do qual a gente desviava
por causa da pedra
obstáculo
mas a menina foi lá
e limpou a poeira da pedra
e viu que não era pedra
era um diamante

domingo, 20 de novembro de 2011

Samba Canção

Te escuto
no compasso
cadente e ritmado
de um disco na vitrola

sábado, 17 de setembro de 2011

Verônica era verborrágica
prolixidade com gosto de sobremesa
profusão de mentes, completamente
absolutamente
mas o melhor de Verônica
era quando ela não dizia palavras
(as tantas palavras que dizia)
apenas fonemas exasperados e sem sentido

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Confessionário

segredos sagrados
segregados na boca
teimosa aproximação

domingo, 5 de junho de 2011

Depois

olhos sonolentos
esfregam-se, tíbios
cai uma lágrima
era de amor?

domingo, 1 de maio de 2011

Digitais

dedos percorrem
trechos de pele
sinuoso trajeto
me perco no tato
nas sensações
que brotam, que emanam
dos sujos lençóis

segunda-feira, 21 de março de 2011

porque na verdade é tudo isso
e tudo isso é poesia
o tudo isso dos olhos
o tudo isso da boca
o tudo isso lá de dentro
o tudo isso de quando se sente aquilo que se sentiu

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Gravidade

eu caio
tu cais
caímos nós, inebriados
e nossas roupas
elas também caem
tudo vem abaixo belo
apenas nus, não mais graves

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Vento

O venot
baetu e msitrouu
pedçaos do meu pemoa.
Fciou tdou bagnuçdao.
Noã tem masi peoma.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Janeiro

Janeiro calor
Quente e perdido
Perdido em tremor
Janeiro libido

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

No seu íntimo se escondem aqueles 
sentimentos incautos e sóbrios. 
Os ébrios, ah!, os ébrios você já me apresentou. 
Conheci-os nas horas derretidas 
em que nossas línguas duelavam 
no mesmo vão.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Horizontais

Na cama quente
Eu e você
Entrelaçados
Eu e você
Amores loucos
Eu e você
Delírio, breu
Você e eu