- Velho, tu tá bebendo demais hoje...
- Tô bebendo de menos, isso sim. Mas hein, sabe quando tu se vê na estrada e à tua frente tem dois caminhos?
- Porra, de novo com essa história de indecisão?!
- Não é isso...
- E o que é, então?
- É que, na real, não importa o caminho que tu escolhe.
- Como não importa?
- Não faz diferença, a gente nunca vai chegar ao fim da estrada.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Convite
- Não.
- Por que não?
- Porque não quero, ué.
- Tem que ter um motivo.
- ...
- O motivo sou eu, né?
- ...
- Fale alguma coisa!
- Sim, o motivo é você.
- Eu sabia.
- Se sabia, por que perguntou?
- Queria ter certeza.
- Pois agora você está certo, tchau.
- Espera!
- Por que deveria?
- Você sabe que deveria.
- Sei, é?!
- Sabe. E sabe também que gosta de mim.
- Você só pode estar louco.
- Todos somos loucos, querida.
- Você é mais do que louco.
- E me orgulho disso.
- Orgulho? Onde estava com a cabeça quando atendi à sua ligação?
- Pare com essa cena. Você quer, eu sei.
- Escute: se você não passar aqui em meia hora...
- Isso é um sim?
- Meia hora!
Clique.
- Por que não?
- Porque não quero, ué.
- Tem que ter um motivo.
- ...
- O motivo sou eu, né?
- ...
- Fale alguma coisa!
- Sim, o motivo é você.
- Eu sabia.
- Se sabia, por que perguntou?
- Queria ter certeza.
- Pois agora você está certo, tchau.
- Espera!
- Por que deveria?
- Você sabe que deveria.
- Sei, é?!
- Sabe. E sabe também que gosta de mim.
- Você só pode estar louco.
- Todos somos loucos, querida.
- Você é mais do que louco.
- E me orgulho disso.
- Orgulho? Onde estava com a cabeça quando atendi à sua ligação?
- Pare com essa cena. Você quer, eu sei.
- Escute: se você não passar aqui em meia hora...
- Isso é um sim?
- Meia hora!
Clique.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Semáforo
- Droga, eu falei pra procurar as chaves depois. Olha aí, tá fechado.
- Calma, amor, é rápido.
- Rápido... é porque não é você quem está dirigindo. E esse ainda é daqueles de não sei quantos tempos.
- Relaxa, bota uma música e curte o momento.
- Curtir o momento?! Com essa porra de sol na cara e, pra completar, filtro de ar mais sujo que...
- Ai, amor, você tá muito estressado. Precisa de férias.
- É claro, vai dizer isso pro meu chefe!
- Credo, Rô! Já vi que hoje não tá dando pra conversar.
- E essa merda de sinal que não avança!
- Ficar nervoso só piora as coisas. O tempo é relativo. Tudo é relativo. Newton disse isso, não foi Newton?
- Não, meu Deus, foi Einstein. Ou Bohr. Ah, sei lá! Dá pra ficar quieta?
- Escuta aqui: não pensa que pode falar assim comigo! Não pode, ouviu?
- Tá, tá, chega!
- Mas você tá um porre mesmo hoje, hein? Te contar...
- E você não cala essa boca, Jesus! Não consegue...
- Rô...
- E ainda por cima quer me interromper...
- Rodolfo...
- Fica quieta!
- Os carros, Rodolfo!
- Mas o que é que têm os carros, droga?!
- Abriu, Rodolfo.
- Calma, amor, é rápido.
- Rápido... é porque não é você quem está dirigindo. E esse ainda é daqueles de não sei quantos tempos.
- Relaxa, bota uma música e curte o momento.
- Curtir o momento?! Com essa porra de sol na cara e, pra completar, filtro de ar mais sujo que...
- Ai, amor, você tá muito estressado. Precisa de férias.
- É claro, vai dizer isso pro meu chefe!
- Credo, Rô! Já vi que hoje não tá dando pra conversar.
- E essa merda de sinal que não avança!
- Ficar nervoso só piora as coisas. O tempo é relativo. Tudo é relativo. Newton disse isso, não foi Newton?
- Não, meu Deus, foi Einstein. Ou Bohr. Ah, sei lá! Dá pra ficar quieta?
- Escuta aqui: não pensa que pode falar assim comigo! Não pode, ouviu?
- Tá, tá, chega!
- Mas você tá um porre mesmo hoje, hein? Te contar...
- E você não cala essa boca, Jesus! Não consegue...
- Rô...
- E ainda por cima quer me interromper...
- Rodolfo...
- Fica quieta!
- Os carros, Rodolfo!
- Mas o que é que têm os carros, droga?!
- Abriu, Rodolfo.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Descoberta
- É um maço de cigarro, não tá vendo?
- Claro que é cigarro, Renata. Quero saber o que está fazendo na sua bolsa.
- Vai lá, inteligência rara: três chances pra você adivinhar.
- Não fale assim comigo. Apesar de você parecer não se lembrar, eu sou seu pai.
- Ah, não. Pode parar por aí. Não aguento mais ouvir seus sermões.
- Se você não gostasse de ouvir, não faria o que faz.
- Ah, é?! E o que é que eu faço de tão medonho?
- Minha filha, você anda por aí bebendo, com essas roupas de mulher que não tem respeito. E agora deu para fumar? Por quê?
- Ora essa, fumo porque quero. Agora vaza, me deixa em paz.
- Você não imagina o desgosto que está dando à sua mãe, que Deus a tenha. Ela não suportaria te ver fumando.
- Desgosto?! Hahaha, mamãe fumava escondida! Só você que não sabia. Aliás, foi ela quem me deu meu primeiro cigarro. Lembro bem, era um Marlboro vermelho.
- Santo Deus, isso é verdade?!
- É, pai, é verdade. Agora vai, será que você vai embaçar só por causa de um maço de cigarro?
- Sua mãe fumava... como eu não percebi?
- Ela sabia não deixar pistas. Eu tinha muito a aprender com ela.
- Ela fumava...
- Tá bom, pai. Vai digerir a informação lá embaixo. Não estou com paciência pra lamuriações sobre descobertas. Além do mais, ainda tenho vários Caribe a tragar.
- Caribe? É aquele de menta?
- É, por quê?
- Deixa eu experimentar?
domingo, 3 de outubro de 2010
Sorvete
- Eu quero chocolate e baunilha.
- Saindo uma casquinha de chocolate e baunilha pro campeão aqui!
- É casquinha de chocolate, né?
- Claro, Pedrinho, eu sei que é a sua favorita!
- Obrigado, seu Antônio!
...
- Ei, menina, você não gosta de sorvete?
- Gosto, mas minha mãe disse que ela não pode comprar. Esse aí tá gostoso?
- Aham, é de chocolate e baunilha.
- Meu sabor preferido é chocolate. Eu queria tanto um sorvete!
- Mas a sua mãe não pode mesmo comprar?
- Não. Ela disse que não dá pra ficar gastando dinheiro com bobagem. Eu queria tanto.
- Quer um pouquinho do meu?
- É sério?!
- Aham, pode ficar com tudo.
- Puxa, obrigada! Nem acredito!
- Você quer brincar comigo? O meu nome é Pedro.
- O meu, chomp, é Mariana.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Jantar
- Você é um idiota.
- Vá se foder!
- Não apele deste jeito. Você não precisa.
- Não preciso? Olhe só quem fala. Por que você começa com isso?
- Quer mesmo que eu diga?
- Por favor, não. Já sei a resposta. Conheço sua ladainha.
- Se conhecesse de fato, não repetiria seus erros.
- Cale a boca. E me passe o sal.
- Você é hipertenso, já esqueceu?
- Pelo amor de Deus, você não cansa?!
- Em se tratando de você, não.
- Quer fazer o favor de passar o sal?
- Tome, mas não me responsabilize pelo infarto.
- Eu sei me cuidar, porra!
- É claro que sabe. Como um bebê.
- Onde está o vinho?
- Foi você quem guardou.
- Droga! Esqueci de colocá-lo para gelar.
- De novo?! Já é a quarta...
- Não comece.
- Tudo bem, eu me calo, seu esclerosado de merda.
- Obrigado.
- ...
- ...
- ...
- Cecília?
- Que foi?
- Eu te amo.
- Vá se foder!
- Não apele deste jeito. Você não precisa.
- Não preciso? Olhe só quem fala. Por que você começa com isso?
- Quer mesmo que eu diga?
- Por favor, não. Já sei a resposta. Conheço sua ladainha.
- Se conhecesse de fato, não repetiria seus erros.
- Cale a boca. E me passe o sal.
- Você é hipertenso, já esqueceu?
- Pelo amor de Deus, você não cansa?!
- Em se tratando de você, não.
- Quer fazer o favor de passar o sal?
- Tome, mas não me responsabilize pelo infarto.
- Eu sei me cuidar, porra!
- É claro que sabe. Como um bebê.
- Onde está o vinho?
- Foi você quem guardou.
- Droga! Esqueci de colocá-lo para gelar.
- De novo?! Já é a quarta...
- Não comece.
- Tudo bem, eu me calo, seu esclerosado de merda.
- Obrigado.
- ...
- ...
- ...
- Cecília?
- Que foi?
- Eu te amo.
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