07/05/12
Dilacerar. Uma discussão no andar de baixo como pano de fundo, queria dilacerar. Partir a palavra ao meio, chegar ao âmago do âmago de algum significado. Sentir falta de coisas desimportantes, inexistentes, barulho de mar em concha perolada. Ninguém lá fora, apenas os cones iluminados dos postes solitários. Dentro de casa, contraste, a falta de luz, o escuro desejado, deliberado. O escuro feito escuro por vontade. Uma ânsia de vomitar tristeza e decepção que lhe subia à boca mas era constantemente empurrada de volta. Álcool. Amor. Todas essas coisas que são na verdade incompreensíveis e a gente não pode ter mais que uma mera ideia do que elas representam. Pão e vinho, corpo e sangue. Suor. Música nos ouvidos, nostálgica, colorindo lembranças e trazendo à tona a pluralidade de tudo. Loucura e lucidez, qual é o limite? Existe um? O fruto proibido não é a maçã, é a consciência. Mentiras. Estações do ano, que se alternam num festival de frio e calor e folhas caindo e flores nascendo. Tudo é mágica e nada é de verdade. O que agoniza ainda é vivo, não morre se se lhe resta um mínimo de força. Agonizante, porém ainda não morto, queria dilacerar. A si mesmo. O mundo. Dilacerar o que lhe havia de nobre.
Cresci muito com ele - e com vocês.
Infelizmente, porém, estou dispondo de bem menos tempo
do que eu tinha para compartilhar minhas palavras tortas.
Mas ainda estamos vivos!
Porque, como está ali em cima, "o que agoniza ainda é vivo".
E ainda resta a força. A vontade.
Então, mesmo com frequência diminuída,
com textos muito mais ocasionais,
estarei aqui ainda.
E, hoje, só me resta uma coisa a fazer:
agradecer.
Pelo aniversário do Sangue e Solidão
e por vocês estarem sempre aqui.
