terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Anual

Happy birthday to you...

Tanta coisa já me propus a escrever, antecipadamente... E tantas vezes as palavras me faltaram, como numa espécie de sortilégio em que elas criam vontade própria e decidem não aparecer. Penso há muito sobre o que eu diria hoje, dezessete de janeiro de dois mil e doze. Um dia normal, ou não. Minha cabeça viaja à procura de algo que não seja repetitivo, mas aniversários sempre o são, em todos os sentidos.

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Não, nada de diferente ocorreu quando o relógio mostrou meia-noite, com seus números fosforescentes piscando vermelhos lá dentro dos meus olhos. Tudo era igual, mas nunca tinha estado tão estranho. É claro que eu tinha a consciência de que quando a segunda desse lugar à terça, meu corpo, meus gostos e tudo o mais permaneceriam os mesmos - afinal, ninguém está verde num dia e no outro se apresenta pronto para colher. Mas o significado simbólico do avanço no calendário faz com que a gente pense que, sim, as coisas mudaram.

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Um, dois, três, dezoito. Estou feliz. Porém, mais do que felicidade, o que está à minha frente é um gigantesco ponto de interrogação, que se insinua do alto de sua gravidade, olhando-me nos olhos e perguntando e agora?. E agora? Será que, a partir de hoje, serei uma pessoa diferente por ser legalmente responsável pelos meus atos? Se metamorfoses acontecem na vida, não acontecem tão de repente. Veja só, não sou muito distante do que eu era há dez verões (não gosto muito de primaveras). Quem sabe a gente não "mude" de fato, mas sim "troque de roupa" no decorrer dos tempos. E todos sabemos como é ruim trajar o mesmo todos os dias. Enfim. Talvez a vida seja exatamente isso: um grande guarda-roupas. Hoje visto mais uma. Feliz aniversário.