terça-feira, 21 de junho de 2011

Profissões #1

O mecânico se apaixonou. Derreteu-se a graxa que lhe constituía o coração. Finalmente encontrara a rebimboca que casava com a sua parafuseta.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Caleidoscópio

O frio entrava pelos pés descalços, nus no piso azulejado, e subia, eriçando pelos, arrepiando. Precisava de qualquer coisa que aquecesse, por fora e por dentro. Um cobertor e um conhaque, já que a outra opção para esquentar por dentro estava tão fora de alcance. Fazia tanto tempo que... Estava, finalmente, renascendo. Ou, se melhor couber, ressuscitando. Este meu filho estava morto e reviveu, ou qualquer coisa que o valha. Alegremo-nos, pois. Não. Fragmentos de memória que lhe atravessavam a cabeça; pensamentos díspares, desconexos, e a lembrança desagradável de que havia prova no dia seguinte. Mas não importava; estava renassuscitando. Mordia a ponta do lápis a cada pausa, como se cada pausa lhe roubasse o ar. Não podia deixá-la escapar, não dessa vez, a vontade. O branco enchia-se de negro e uma história era contada. História ou estória? Pegou um cacho de uvas lá na cozinha, e que delícia era o estourar agridoce dos pequenos globos na boca. Uma colcha de retalhos de emoções, ou de coisas não-mostradas. Como quando a gente olha num caleidoscópio e vê tudo muito bonito. Tão bonito que nem precisa saber como aquela beleza se formou.

domingo, 5 de junho de 2011

Depois

olhos sonolentos
esfregam-se, tíbios
cai uma lágrima
era de amor?