Qualquer data cabe.
Para quem quiser,Sinto uma vontade tão grande, tão enorme, tão visceral. Eu preciso me entregar a alguma coisa que me leve completamente, que sugue minhas lágrimas de alguma forma, por Deus, definitiva. Quero me lançar em algum rumo que não tenha rumo, poder desfrutar meus vícios à vontade, sem ninguém que venha me levantar. Porque eu quero ficar caído. No chão. Entende? Cansei dessa babaquice de ser a pessoa perfeita, educada e cordata de quem todo mundo gosta. Eu quero é me afogar em mares de álcool, em chaminés de cigarro, em céus e em lábios – os de cima e os de baixo. Preciso ser, droga, ter a possibilidade de usar minha barba no comprimento que eu quiser, deixar a tampa do vaso levantada. Ninguém tem noção de como me encanta toda essa marginalidade. Essa marginalidade. Com o câncer e a cirrose eu me entendo depois, não preciso de gente cacarejando nos meus ouvidos. É isso que eu procuro. É isso que desejo. Eu tenho de ficar lá, rastejando, com bafo de cerveja e de tabaco. Por favor, não quero mais essa merda de vida. Merda. Vida.
Sem mais.
