sexta-feira, 22 de abril de 2011

Eis-me aqui. Em barba, óculos, cueca e  dor-de-cabeça. Um cigarro amassado no canto da boca, aceso querendo apagar. Uma babel de sons a reverberar lá dentro do crânio. E a vontade incontrolável de sempre, de transpor as palavras da nascente pro papel. A luz acesa, a geladeira aberta, o chuveiro pingando. Esses lapsos cotidianos; a gente sabe que tem de dar um jeito neles, mas a preguiça de sair debaixo do cobertor vence toda vez. Uma raiva familiar que vem do nada, uma raiva de mandar um foda-se para as coisas pequenas, uma raiva de tudo. De mim mesmo. De eu fazer coisas das quais me arrependo no dia seguinte, quando os flashes de memória vão voltando. Uma raiva de dicionários. Pra que palavras bonitas? O rosto da vida nem é tão belo assim. Daí o cobertor fica mais quente e a preguiça se mistura com a raiva e tudo vai-se tornando sono. Eu fecho os olhos, e o piscar vai-se tornando mais lento. Mais lento...

6 comentários:

  1. Sempre muito bom, fazendo-nos sentir como se fosse conosco. Abraço mano;

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  2. Despertou mais uma vez minha imaginação, volto sempre ;*

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  3. ótimo texto, como sempre, parabéns!

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  4. Ai, Doug, que gostoso ler pela manhã estes teus tão preciosos textos.

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