O frio entrava pelos pés descalços, nus no piso azulejado, e subia, eriçando pelos, arrepiando. Precisava de qualquer coisa que aquecesse, por fora e por dentro. Um cobertor e um conhaque, já que a outra opção para esquentar por dentro estava tão fora de alcance. Fazia tanto tempo que... Estava, finalmente, renascendo. Ou, se melhor couber, ressuscitando. Este meu filho estava morto e reviveu, ou qualquer coisa que o valha. Alegremo-nos, pois. Não. Fragmentos de memória que lhe atravessavam a cabeça; pensamentos díspares, desconexos, e a lembrança desagradável de que havia prova no dia seguinte. Mas não importava; estava renassuscitando. Mordia a ponta do lápis a cada pausa, como se cada pausa lhe roubasse o ar. Não podia deixá-la escapar, não dessa vez, a vontade. O branco enchia-se de negro e uma história era contada. História ou estória? Pegou um cacho de uvas lá na cozinha, e que delícia era o estourar agridoce dos pequenos globos na boca. Uma colcha de retalhos de emoções, ou de coisas não-mostradas. Como quando a gente olha num caleidoscópio e vê tudo muito bonito. Tão bonito que nem precisa saber como aquela beleza se formou.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
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muito bom, muito bom! rápido e rasteiro, como assim deve ser.
ResponderExcluirAi, ai Doug... Seus escritos são tão belos.
ResponderExcluirBom trabalho, moço.
ResponderExcluirCara, você é admirável. Sério.
ResponderExcluirEspero ansiosamente para ler um texto ruim de sua pessoa.