sábado, 12 de maio de 2012

07/05/12

Dilacerar. Uma discussão no andar de baixo como pano de fundo, queria dilacerar. Partir a palavra ao meio, chegar ao âmago do âmago de algum significado. Sentir falta de coisas desimportantes, inexistentes, barulho de mar em concha perolada. Ninguém lá fora, apenas os cones iluminados dos postes solitários. Dentro de casa, contraste, a falta de luz, o escuro desejado, deliberado. O escuro feito escuro por vontade. Uma ânsia de vomitar tristeza e decepção que lhe subia à boca mas era constantemente empurrada de volta. Álcool. Amor. Todas essas coisas que são na verdade incompreensíveis e a gente não pode ter mais que uma mera ideia do que elas representam. Pão e vinho, corpo e sangue. Suor. Música nos ouvidos, nostálgica, colorindo lembranças e trazendo à tona a pluralidade de tudo. Loucura e lucidez, qual é o limite? Existe um? O fruto proibido não é a maçã, é a consciência. Mentiras. Estações do ano, que se alternam num festival de frio e calor e folhas caindo e flores nascendo. Tudo é mágica e nada é de verdade. O que agoniza ainda é vivo, não morre se se lhe resta um mínimo de força. Agonizante, porém ainda não morto, queria dilacerar. A si mesmo. O mundo. Dilacerar o que lhe havia de nobre.


Há dois anos, eu resolvi criar este espaço.
Cresci muito com ele - e com vocês.
Infelizmente, porém, estou dispondo de bem menos tempo
do que eu tinha para compartilhar minhas palavras tortas.
Mas ainda estamos vivos!
Porque, como está ali em cima, "o que agoniza ainda é vivo".
E ainda resta a força. A vontade.
Então, mesmo com frequência diminuída,
com textos muito mais ocasionais,
estarei aqui ainda.
E, hoje, só me resta uma coisa a fazer:
agradecer.
Pelo aniversário do Sangue e Solidão 
e por vocês estarem sempre aqui.

3 comentários:

  1. Antes de tudo, meus parabéns pelos dois anos de blog - e que venham muitos e muitos outros anos. Que ele permeie através das tantas mudanças que a vida dá - como agora, mal lhe dando tempo para escrever algumas palavras por aqui. Sobre o texto, agonizar não é algo necessariamente ruim, afinal. Sinal de persistência, de força, é ponto de partida bem no meio do caminho. Você continua escrevendo lindamente, parabéns por isso também, rs.
    Beijo.

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  2. Cara, tu nem deve me conhecer direito, mas foi um dos meus grandes incentivos a continuar com o blog... Pessoas talentosas assim como você são fontes de estímulo para muitos aqui, pode ter certeza. Parabéns, e continue com esses versos e essas frases fascinantes. Valeu mesmo, poeta!

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