segunda-feira, 6 de maio de 2013

Duas Vezes Solidão

Tem certas noites que eu não durmo
Com alguma inconsciência reprimida
Que surge no ritmo da batida
De um blues que ouvi no mês passado

E, por só conseguir ficar acordado
Levanto da cama e saio pra rua
No desejo de que fosse tua
A saliva com a qual cuspo fraqueza

Cortes, pancadas, dor siamesa
A dor que sinto eu por você
Estamos à nossa própria mercê
E o bel prazer do tempo nos corrói

Quando eu queria ser mais um herói
Torto, canhestro e desconhecido
Investi num amor falido
E os superpoderes não valeram nada

Firo-me andando na madrugada
De novo teus lábios me dizem não
E eu vivo duas vezes solidão
Tua voz me surge sempre como insônia

Tentar dormir, tentar tirar
Tirar de vez do peito o som
O som que faz o meu lembrar
Do que podia até ser bom
Fingir, mas não acreditar
Que eu estou feliz assim
Para quem sabe então ficar
Menos de você em mim
Eu fantasio o seu sim
Não tem começo, mas tem fim.

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