Pela primeira vez eu gostei mais de dias de sol que dos encobertos. Pela primeira vez minha autoestima, que vivia enterrada, conseguiu emergir à superfície e me fazer achar que, sim, eu poderia ter o que os outros têm. Pela primeira vez abri mente e peito; abri a mim mesmo numa mistura de descoberta, de felicidade, de alívio. Mas como eu já devia desconfiar, tudo foi muito efêmero. Por causa de algumas poucas palavras, pensamentos que eu tinha conseguido afastar voltam como estouro de boiada e novamente a autoestima vai para o chão. Aí eu penso na falta que as nuvens fazem e como eu pude imaginar que me daria bem com calor e a claridade. Sempre fui amigo do cinza. Era-me confortável. E, agora, desejo mexer no ciclo das estações e reverter a meteorologia. Mas não. Como uma piada sádica do universo, tudo isto ocorre no primeiro dia do horário de verão. Para que o sol venha e me torture por uma hora mais.
domingo, 20 de outubro de 2013
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