Qualquer Lugar, 14 de dezembro de 1990.
Mijei sentado esta manhã. Foda-se o que vão pensar. Mijei sentado com um copo de cerveja, dourada como a urina que eu expelia. Fiquei lá na privada, com as lembranças vindo como formigas carregando folhas. Pensava na merda em que está chafurdada minha vida, e pensei até sair a última gota. Chacoalhei, e foi como tivesse chacoalhado a mente - desanuviou-se a cabeça e roteirei o dia. Vidro sobre mármore, na pia, manchas líquidas que me evocavam seus lábios. Não fique se martelando, eu também não sei. E tampouco faço ideia do motivo de eu estar escrevendo isto. Sabe quando você sente a necessidade? É claro, ninguém manda uma carta contando como urinou no dia em questão. Mas até que é bom você ficar sabendo. Assim, não vai poder começar o invariável discurso de como eu sou machista e aquela porra toda que você sabe que diz. É engraçado, mas depois de um tempo irrita. Enfim, é isso. Hoje eu mijei sentado.
Te amo.

inusitado, gostei
ResponderExcluirFico estupefata com seus textos, Douglas. Incrível como você já ganha o leitor logo no primeiro período, tão insólito quanto todos os que virão. Nesse texto, isso se faz de modo fantástico.
ResponderExcluirVocê é brilhante. Surpreendente.
ResponderExcluirPost genial!
Muito obrigado pelos comentários, pessoal! Obrigado mesmo!
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