Sândalo, mirra e alfazema. As libações plúmbeas e fumarentas, que me elevavam do chão ao firmamento. A fumaça inebriante agarrava-me com suas mãos poderosas e transportava-me para um mundo de glória, honra e louvor. Vi a Força. Toquei-A. Mais, eu era a Força. Plenitude e comunhão eram o ambiente ao meu redor. O incenso ardia, a ponta alaranjada a queimar a essência; o carvão e o sal transformando-se em oração e graça. Do turíbulo emanavam os vapores da revelação. A vida me era revelada. Os cinco grãos a queimar, e eu a encher-me de imensidão. Sentia-me parte do universo. Ou o universo é que estava em mim? Inspirações cartesianas, ímpetos neoplatônicos. Ele está em tudo, enquanto tudo é n’Ele. A realidade combustível ampliava meu entendimento. Minha fé. Os aromas a difundir-se pelo ambiente, envolvendo-me num ar de ciência e clareza. O cheiro, a filosofia e Deus. Uni-me com o infinito, e viajei pelos séculos sem fim. Prosopopeia, prece, sentimento carbonífero. Dignações e perfumes eram guia, segurando-me pelas mãos.
terça-feira, 15 de junho de 2010
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Nossa! Você sacudiu a poeira de Cruz e Souza e atualizou-o, renovou-o, reinventou-o. Apropriar-se de um texto e imitá-lo é um procedimento de criação literária. É a própria atitude crítica e analítica dos escritores modernos. Parabéns! Profe. Sandra
ResponderExcluirMeu começo na escrita foi com as paródias, portanto uma prosa "com licença poética" não poderia faltar. Obrigado, professora, por ler meu blog e me incentivar desde o início. :)
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