Na biblioteca escura, a única luz era proveniente do globo iluminado, analisado atentamente pela garotinha. Aqui é a França, da Torre Eiffel. Sempre que via fotos da imensa estrutura férrea parisiense, ela se imaginava lá em cima, contemplando a magnitude da cidade-luz. Tem o canal da Mancha, depois é a Inglaterra. Ela vira muita coisa sobre a terra da rainha. Fantasiava os chás, os ônibus vermelhos, as cabines telefônicas e, sobretudo, era fixa a ideia do Big Ben parado. Seria divertido. Ou caótico. A gente vai mais pra lá, daí tem a Suíça. Duas coisas: um Rolex e os chocolates. Apenas. Agora desce um monte, e chega na África do Sul. Lá tem diamantes e marfim, ela ouvira falar. Quem sabe quando fosse mais velha. Vai pra direita mais um tanto, e para na Austrália. Ela vira a foto de um coala, que lindinho!, um dia ela teria um coala. Girando e girando o globo, atravessou o planeta inteiro. Perdeu-se, alegre e triste, em lembranças, datas, imagens, sonhos, até que chegou ao Brasil. Pronto, estou no Brasil. Estou aqui. E agora? E agora? Mal sabia que aquele 'e agora?' seria presença constante por toda uma vida. Coitada, tão novinha e já fadada a crescer em meio a crises. Apagou o globo, sentou-se na imensa cadeira de couro. Era grande demais para ela. A cadeira e todo o resto. Tudo era grande demais.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
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Tem uma lembrancinha para você no blog!!!
ResponderExcluirAbraço!
Muitíssimo obrigado, Paju! Fico imensamente feliz, mesmo! :D
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