terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Priscila

Se a lâmpada do poste holofote fosse
Priscila seria vedete
Mas só da meia-noite às cinco
No outro dia seria manchete
Estampada em papel-jornal descartável
Rasgados, a saia e o corpete
E a pele recém-maquiada
Porque ousou sair montada
De casa, debaixo do sol

Esperava, tranquila, no ponto
A chegada da condução
E como na rua não tem holofote
Ela não foi vedete nem atração
Por ser registrada João
E ao mesmo tempo usar um decote
Calaram a voz de Priscila
E a ignorância falou mais forte

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