Procura-se inspiração
De primeira qualidade
Ainda sem uso
Ampla e arejada
Fogosa e espevitada
Sem riscos ou amassados
Que traga palavras em três dias
Pela metade do preço
Ou com opção de troca
Por uma frase de autoajuda
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Classificados
sábado, 23 de novembro de 2013
Untitled
I still keep wondering
If I’ll
ever get to be as happy
As
everybody seems to be
I’ve got no
one here with me
To make it
through this tough life
I look
around: I’m all alone
Even though
I have my friends
But they've, sure, fallen in love
They’re in
the sky, nothing above
And I still
walk all by myself
I go to
bars and go to clubs
I try to
hide my unhappiness
But it’s so
much stronger than me
It makes me
freak and want to flee
And bury
myself for the longest time
sábado, 2 de novembro de 2013
Uísque
repostagem
Te amo como amo um copo de uísque
gelado ao toque, ao tato
Mas você o bebe e ele te esquenta
E o calor vai atravessando, célula por célula
Te amo como amo um copo de uísque
No desespero eu procuro – te procuro
e quero imergir-me no líquido
Fazer de conta que não houve um dia ruim
Te amo como amo um copo de uísque
te amo
como amo
um copo
de uísque
Te amo como amo um copo de uísque
Só que, nesse momento, eu preciso mesmo
é de uma cerveja
Te amo como amo um copo de uísque
gelado ao toque, ao tato
Mas você o bebe e ele te esquenta
E o calor vai atravessando, célula por célula
Te amo como amo um copo de uísque
No desespero eu procuro – te procuro
e quero imergir-me no líquido
Fazer de conta que não houve um dia ruim
Te amo como amo um copo de uísque
te amo
como amo
um copo
de uísque
Te amo como amo um copo de uísque
Só que, nesse momento, eu preciso mesmo
é de uma cerveja
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Profissões #2
O cobrador se apaixonou. As catracas que lhe guardavam o coração abriram-se para sempre. Finalmente achara a moça com passe livre vitalício para sua vida.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
domingo, 20 de outubro de 2013
Pela primeira vez eu gostei mais de dias de sol que dos encobertos. Pela primeira vez minha autoestima, que vivia enterrada, conseguiu emergir à superfície e me fazer achar que, sim, eu poderia ter o que os outros têm. Pela primeira vez abri mente e peito; abri a mim mesmo numa mistura de descoberta, de felicidade, de alívio. Mas como eu já devia desconfiar, tudo foi muito efêmero. Por causa de algumas poucas palavras, pensamentos que eu tinha conseguido afastar voltam como estouro de boiada e novamente a autoestima vai para o chão. Aí eu penso na falta que as nuvens fazem e como eu pude imaginar que me daria bem com calor e a claridade. Sempre fui amigo do cinza. Era-me confortável. E, agora, desejo mexer no ciclo das estações e reverter a meteorologia. Mas não. Como uma piada sádica do universo, tudo isto ocorre no primeiro dia do horário de verão. Para que o sol venha e me torture por uma hora mais.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Clique
repostagem
Luz acesa
Transfigurando-nos, corpos salgados
num verso alexandrino
Transcendência etérea
Nevoeiro
Memória turva
Torpor orgânico
e químico
Fotografadas suas feições
no álbum nonsense
descontrolado
da minha cabeça
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Gramática
Queria fazer um poema concreto
com todas as três dimensões
que te saltasse aos olhos
e se enterrasse bem lá no fundo da sua retina
Mas ele saiu amorfo
Massa volúvel que de sólido não tem nada
Porque aprendi na quinta série
que amor é substantivo abstrato
com todas as três dimensões
que te saltasse aos olhos
e se enterrasse bem lá no fundo da sua retina
Mas ele saiu amorfo
Massa volúvel que de sólido não tem nada
Porque aprendi na quinta série
que amor é substantivo abstrato
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Enxerto
repostagem
Foi num dia de muita chuva que a vi passar pela primeira e última vez. O céu todo vestido de cinza, chorando lágrimas doces que caíam oblíquas ao bel prazer do vento. Suas mãos trêmulas tentando proteger o cigarro aceso, já pela metade, pendente dos lábios roxos, tulipa num jardim de Amsterdã. A marquise sob a qual eu ponderava entre esperar o temporal passar ou ir de qualquer jeito não era muito grande. Vi o cachecol balançando e o rastro de fumaça branca e densa que saía da casinha de joão-de-barro que ela improvisou. Constrangido sorriso mútuo, um ou outro comentário sobre o aguaceiro, essas trivialidades. E o silêncio que, mesmo no espaço apertado da área seca debaixo da marquise, deu um jeito de se enfiar entre nós como se fosse uma coisa física, tocável, visível.
Foi num dia de muita chuva que a vi passar pela primeira e última vez. O céu todo vestido de cinza, chorando lágrimas doces que caíam oblíquas ao bel prazer do vento. Suas mãos trêmulas tentando proteger o cigarro aceso, já pela metade, pendente dos lábios roxos, tulipa num jardim de Amsterdã. A marquise sob a qual eu ponderava entre esperar o temporal passar ou ir de qualquer jeito não era muito grande. Vi o cachecol balançando e o rastro de fumaça branca e densa que saía da casinha de joão-de-barro que ela improvisou. Constrangido sorriso mútuo, um ou outro comentário sobre o aguaceiro, essas trivialidades. E o silêncio que, mesmo no espaço apertado da área seca debaixo da marquise, deu um jeito de se enfiar entre nós como se fosse uma coisa física, tocável, visível.
***
Até que fui atingido pela névoa da cachoeira de cachos castanhos, cujo perfume me trouxe novamente a imagem da tulipa e do seu balé à brisa holandesa. Nunca estive na Holanda. Susto, ela percebeu. Virou-se de frente pra mim e pediu desculpas. Tudo bem, não há problema. E realmente não havia. Minha cabeça, cheia de coisas inúteis e preocupações bestas, desanuviou – o que demorava a acontecer com a grande tela cor de chumbo, cortada por prata vez ou outra. Não nomes, não ocupação, apenas comentários adicionais sobre o tempo feio. E uma surpresa.
***
Li infinitas feições naquele curto espaço de tempo. Súbito, a grande bola amarela apareceu, estancaram-se as gostas e desmoronou-se, por conseguinte, a casinha de joão-de-barro. Senti o roçar das franjas de lã no pescoço e previ seus passos graves rumo a um destino o qual eu não fazia ideia. Não faço ideia. Não a escutei quando disse uma fórmula de despedida qualquer – pergunto-me se chegou a fazê-lo. Lembro-me apenas de assistir à cena de fora, eu mesmo espectador e personagem simultaneamente. O encontro das pétalas macias, ela, e das folhas secas, eu. Duas bocas; o corpo sentindo a haste da planta, uma da outra. Depois, a meia-volta. A ponta do cachecol rodopiando novamente. Minhas mãos erguendo a gola da jaqueta para depois se enterrarem nos bolsos. Meus pés respingando a água de inúmeras poças que encontrei pelo caminho. E o cheiro de tulipas que encanta e assombra meu pensamento até hoje.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Quadrilha
João amava Raimundo
que amava Teresa
que amava Joaquim
que amava Maria
que amava Lili
que não amava ninguém
João foi para a Tailândia nascer Roberta
Raimundo morreu de alegria
porque Teresa largou o convento
Joaquim cortou os punhos
quando Maria ficou com a tia
da Lili, que não se casou
porque gostava de compartilhar seus dotes
com os mais necessitados
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