As luzes dos postes passavam em intervalos mais ou menos regulares, à medida que ele avançava em sua trilha solitária. O barulho do vento, as pisadas no asfalto, as batidas do coração. O negrume da noite envolvia tudo e ele andava sem rumo, movido por um súbito e estranho ímpeto. O único que sabia era a necessidade de caminhar. Para onde, ele ignorava. Martelava sua mente um comando. Ande, apenas isso. Talvez não houvesse causa. Volveu os olhos ao firmamento – bela palavra essa, firmamento – e contemplou a lua, circundada por um halo multicor. Tropeçou. Concentrou-se novamente no caminho; os cadarços desamarrados, como sempre. Quando deu por si, viu a grade carcomida e enferrujada dos portões do cemitério. Ele não havia, pelo menos não de forma consciente, planejado ir até a morada dos mortos. Mas, já que ali estava, entrou. Nunca se imaginara naquele lugar àquela hora, e sentiu uma torrente de adrenalina percorrer-lhe o sangue. Gostou da sensação, da mórbida mistura de satisfação, medo e outros temperos que conferiam um sabor agridoce à tão ímpar experiência. Encontrou a enorme cruz. Não mais controlava as ações. Estava tomado por algo inexplicável. Confuso, fúnebre e divertido – tudo ao mesmo tempo. Ajoelhou-se. Disse de si para si coisas ininteligíveis. Por fim, encontrou uma defunta estonteante. Ei-lo, o motivo. Destino, talvez? Ele conversou, riu e amou a noite inteira. Depois, ao primeiro clarão solar, deixou velas e lápides para trás. Descarregara a tensão. Seria loucura?
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
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ótimo =)
ResponderExcluirde onde você tira essas loucuras bonitas? hahahahahaha BJOSS!!! BOA SEMANA!!! =)
ResponderExcluirMuito bom! :)
ResponderExcluirObrigadão pelos cometários! Que bom que gostaram! :D
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