Era a primeira vez que matava um frango. Segurava a ave pelos pés e a outra mão circundava o pescoço (como seu pai lhe instruíra), estava prestes a começar. Mas sentia-se incapaz. Já matara outros bichos, bichos pequenos, baratas, aranhas, lagartixas. Mas eles pareciam insignificantes demais para se relutar em matá-los. Com o frango era diferente. Eram três quilos de peito, coxas, penas e canto. Não dava para matar algo tão grande. Só que teria de dar. Fechou os olhos e puxou a cabeça. O animal começou a se contorcer, batendo e batendo e batendo as asas, tentativa iníqua de escapar da morte. Ele apertou ainda mais as pálpebras e seguiu puxando. A cada vértebra que estalava, sentia-se pior. E o frango batia as asas, era pena por todo lado. Por fim, o trabalho foi feito. Cessaram os movimentos e um pouco de sangue escorreu pelo bico amarelo. Ele abriu a vista e contemplou o resultado daqueles minutos infinitos. Levou-o para dentro, a mãe cozinhava. Mais tarde, comeu o risoto com gosto, saboreando cada fibra da carne branca e macia de um frango qualquer.
domingo, 9 de janeiro de 2011
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não vi em algo comum. uma breve 'história' que nos mostra o tipo de comportamento humano. douglas, estamos fadados à indiferença, talvez. ou qualquer bullshit que eu esteja falando!
ResponderExcluir"de um frango qualquer."
bom, bom.
e assim vai, meu caro...
ResponderExcluirmuito bom.
e obrigado sempre pelas palavras nos comentários e visita também!
abraço!
Haha, e essa postagem ao meio-dia? Sugestiva que só! Engraçado, passei por um negócio desses há pouquíssimo tempo...
ResponderExcluirExcelente, Douglas. Com a divina qualidade só sua.
Fechei o olho junto na hora fatal, assim como me sentir saboreando "um frango qualquer". Isso me fará pensar por um bom tempo...
ResponderExcluirMuito bom =)
Eita.
ResponderExcluirMe lembrou um texto do Luis Fernando Verissimo, "Galinha Ao Molho Pardo", ou algo do tipo. Mesmo assim (ou por isso) adorei. xD
ResponderExcluirMuito obrigado pelos comentários, pessoal! De verdade.
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