É aquela coisa cinza e vaporosa que cobre o céu num dia frio. Tão cinza e tão vaporosa quanto a fumaça encorpada que rodopia no ar. Uma sacada e um cobertor. Era tudo uma confusão, um jogo de luz e sombra que ninguém sabia como controlar. Mas parecia que agora ele tinha reencontrado o prumo. Ou, pelo menos, estava reecontrando. Isso era bom. Sabe, quando não há alma viva para atrapalhar e você aprecia aqueles momentos de solidão gostosa, quem sabe com um vermelho pendendo dos lábios, ardente, ou talvez uma xícara de café forte, ou ainda os dois juntos. A cabeça desanuvia e você esquece que tem problemas, que tem crises, que tem mil e uma coisas para estudar. Aí você pensa naquela música triste que te fala tanto sobre alguma coisa qualquer, e se sente envolto numa aura de nostalgia que, apesar da aparência, é tão boa. Tão boa. E sente saudade de coisas que nunca aconteceram, e olha pro céu e vê o cinza, e vê o cinza na sua frente, e imerge num mar de cinza. Um cinza quente, fluido, acolhedor. Então, você se dá conta de que está lá, na sacada, enrolado num cobertor felpudo, sentindo a brisa gelada bater no seu rosto e te lembrar que você existe. E você fica com medo de a brisa apagar o cigarro, mas no fundo sabe que a brisa só quer brincar com você. E, por fim, fica feliz, uma felicidade diferente daquelas que a gente sente às vezes, um misto de êxtase com sono, um estado de espírito sem igual. E fecha os olhos, apreciando ao máximo esse prazer.
sexta-feira, 4 de março de 2011
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Eu fui a primeira a ler MUAHAHA. hihi
ResponderExcluirE eu achei que você tinha feito para mim, porque sou eu nesse texto. Eu te disse isso já. kkk
Douglas, seus textos sempre são tão assim... Verdadeiros, intensos e tão nostálgicos, pelo menos pra mim. Não posso comentar em todos, mas sempre estou por aqui acompanhando suas atualizações. Um dos meus blogs preferidos.
ResponderExcluirMuito bom. Me vi nesse cenário :~
ResponderExcluirOii, nem ao menos te conheço e já faz um tempo que sigo seu blog. Mas descobri que sou apaixonada pelas suas palavras, e um dia desses me perdi madrugada adentro lendo seu blog. Foi estranho porque me surpreendi várias vezes aqui rindo, os olhos já ardendo, e não querendo abandonar a leitura. Passei seu blog pra uma amiga e ficamos discutindo e apreciando seus textos. Adoro o jeito peculiar que você escreve, porque em meio a tanta gente que demonstra as emoções de forma clichê, voce consegue mostrá-las de uma maneira ímpar. Parabéns, vc é uma das poucas pessoas que me cativaram com o jeito de escrever. (:
ResponderExcluirbaby, pasmei. você escreve muito bem, juro. eu amei mais do que tudo esse texto.
ResponderExcluirGalere, muito obrigado pelos comentários; pela força. Obrigado mesmo!
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