A gente sempre tenta encontrar
explicações praquelas coisas inefáveis, como se a falta de definição asfixiasse
que nem a cabeça enfiada numa sacola. É uma falta de ar. Nessas noites sem sono
de garoa fina a gente fica lá, olhando as gotinhas pequenas caírem sem rumo e
pensando no porquê de tudo. Sentindo saudade de nada. Buscando entender um
mínimo do que se vê e ouve e sente, para ter um minúsculo pontinho fixo no meio
desse caleidoscópio que é a vida, e que quando a gente acha que decifrou a
imagem balança e todas as cores e formas se misturam de novo e de repente. E é
em outras bocas, novos chãos, mais das mesmas garrafas que a gente procura,
ainda que afinal, afinal, afinal, a resposta-entre-aspas esteja dentro da gente. Ou é
o que a gente espera. No fim do fim do fundo, do mundo, o que a gente quer é saber quem
é.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
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