Elucubrações românticas de um vestibulando.
À subida das serras, eu fantasiava toda a sorte de cenários, vislumbrando ambientes surreais, oníricos, com a ansiedade percorrendo meu corpo a Mach 3. Chega logo, eu pensava. E por fim cheguei. Curitiba me recebeu altiva, numa noite tão noite que pululava de estrelas no céu e no chão, estrelas caídas. Ao descer, inundei-me com o ar frio carregado de saúde e de letras. Era ali, sim era ali que eu teria de ficar. Nas esquinas e travessas, me deparava com Paulos e Helenas e Daltons, cujos amores, histórias e poesia não tinham e não têm fim. A Botânica, o Passeio, a Ópera. Cada vez era maior a certeza de que não poderia ser outro lugar. Queria ser médico, queria ser vampiro, queria ser marginal. Contemporaneidade. Envolver-me na caçada, buscar a cidade perdida; quem sabe alguém a encontrasse. Um ligeiro sol mostrou sua figura, apenas para conferir aquele punhado exato de luminosidade à paisagem que se exibia ante meus olhos. O sol cansou e começou aquele véu de noiva de neblina fina, tão convidativo a uma sopa com queijo e uma xícara de café. Foi assim. Avaliado estive e avaliei também. E despedi-me do meu utópico objeto de lar futuro, desejoso de voltar e quedar-me ali até não sei mais quando.
