Vi-a. Resplandescente e alva, com muito sangue a adornar os lábios. Contemplei-a. Os contornos voluptuosos sob o preto da seda enchiam-me de furor e desejo. O colo nu, os quadris enlouquecedores, o pescoço delgado, os olhos lânguidos – tudo nela era harmônico e coerente, uma sinfonia para os olhos. Trazia presa nos cabelos uma flor de laranjeira. Ah, como era linda! Na cama com dossel, as horas magníficas e derretidas em companhia dela. Reminiscências d’As Mil e Uma Noites, os contos de Sherazade. E tudo em nós convergia ao amor leviano. Bocas que se perdiam, línguas que se encontravam, braços e pernas à procura de combater a solidão. Quedei-me eu manchado pelo seu sangue. Sua pele branca, cândida, macia, roçando a aspereza queimada de minha tez. Intumescidos estávamos, por inteiro. Inebriados. Entregues ao puro, velho e simples gozo. O êxtase. E, unido a ela, como dependesse disso minha sobrevivência, entregamo-nos ao estupor do sono. Dali a pouco, despertamos. Alvorada, sol raiando. Ela já coberta do negro, entreviam-se os belos seios. Eu, vestido de todo, fui-me embora. Fomo-nos embora. Inesquecível, deveras inesquecível. Momentos ímpares, singulares, indeléveis na memória. Na alcova, resquícios do entrelaçamento de nós dois. Sobre os lençóis, exalando uma última lufada de perfume, descansava, plácida e sublime, uma flor de laranjeira.
domingo, 18 de julho de 2010
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Leve, lindo e laranja!! hahahaha...muito bom! romântico na medida certa, mostrando boas lembranças :) bjoss
ResponderExcluirMuito obrigado! E beijos! :)
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