sábado, 24 de julho de 2010

Livre

E hoje começo sem rumo ou planejamento. É apenas o ímpeto que me faz pegar do papel e carbonizar os impulsos eletromagnéticos que me percorrem os neurônios a toda velocidade. Sons, sabores, cheiros, tudo misturado. Sinestésico. Lápis de cor, giz de cera, aquarela. Acordes surrealistas, deixemos o inconsciente aflorar. Café, bebida mágica! Lucy está aqui - a garota dos olhos de caleidoscópio. Aforismas de Hipócrates, sonhos freudianos. Lápis, caneta e sabe-se lá o quê. Escrevo livremente hoje, como se a criação fosse agora e tudo fosse a primeira vez. Gargalhadas familiares, sangue nas veias de todos nós. Histórias. Rins, coração e pulmões. Cigarro e álcool. Não sei se estou bem. Falta-me consciência, talvez. Será? Pode ser que o que me falta seja controle. Pele quente e áspera. Febre? Vai, capricórnio teimoso, realiza! Lâmpadas fluorescentes ofuscam-me a visão. Risos pueris com doses generosas de açúcar. Empolgação que inunda, transborda. Creio que descobri onde isso vai parar. É o concerto onírico. Tremem-me as mãos e o lápis balança furiosamente. Água de torneira. Que o Valium seja minha salvação.

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