A luz forte, fluorescente, entra como faca nos olhos. Mas não quer fazer mal. É uma sensação de leveza, que contrasta em tudo com o peso em volta. A faca está apenas passando manteiga nos pensamentos quentes, e a manteiga vai derretendo derretendo e me lembrando daquele cheiro de pipoca de cinema. E, como num filme antigo, as imagens vêm passando lentas e apressadas, risquinhos pretos pululando na tela. Aí eu apago a lâmpada e tiro a faca da cabeça, e a uso para passar a manteiga num pão. Pão italiano. Casca dura, miolo macio. E penso em água, água pura, de mina. A água passa pelo corpo e revitaliza as coisas que encontra por lá. Até que o filme acaba, o pão acaba, a água seca e eu fico apenas leve, no escuro. Sem faca, só a leveza e um buraco nos olhos.
terça-feira, 15 de março de 2011
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escreves muito bem
ResponderExcluirUm mistério este texto. A linguagem que você usa é singular. Gostei.
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