"O bloco de notas me encara, incisivamente,
esperando que eu faça algo.
Que eu escreva algo.
Ócio criativo acaba comigo." (Mariane Lobo)
As teclas da máquina sorriam ferozes, qual várias fileiras de gastos dentes de madrepérola. A fita ansiava por enfim gravar no papel as ideias daquele que passara as últimas horas ali sentado. Mas parecia que elas não queriam sair de sua cabeça. Aliás, elas estavam lá dentro? As mãos não se moviam, exceto para encher mais uma xícara de café ou acender outro cigarro. - Merda! A folha alva, sem as manchas negras que fazem viajar. Em branco. Como o papel, assim a mente dele parecia estar. Os cabelos desgrenhados, os olhos cheios de névoa e pesados, ele precisava de um conforto. Felizmente, o conforto estava logo atrás, nu, enrolado num lençol. Um anjo? A moça acordou, seus olhos lânguidos e aflitos simultaneamente. Pediu para que não lutasse contra a ordem natural das coisas. Deixe fluir, dizia, deixe fluir. Ele voltou para a cama e, envolto naqueles macios braços que lhe roçavam o peito, imaginou o que escreveria, se é que conseguiria escrever. Pensou na velha máquina, a poucos metros, que já havia algum tempo não fazia o tec-tec tão agradável aos ouvidos. Como faísca em rastro de pólvora, ele por fim soube o que daria nova vida àqueles dentes. Riu-se. Como é que não pensei nisso antes? Finalmente, sentou-se uma vez mais. E escreveu sobre um homem que não conseguia escrever, mas que tinha um abrigo sempre pronto a acolhê-lo nos momentos de frustração.
Sinceramente... Sou apaixonada pelos seus textos.
ResponderExcluirMuito, muito inteligente!
Parabéns mesmo :*
Obrigada pela visita ao meu blog, e pela citação do meu texto :D Eu também me identifiquei muito com o que você escreveu, aliás, li outros posts aqui e você escreve muito, parabéns! :]
ResponderExcluirMuitíssimo obrigado pelos comentários! Isso é tão, tão... empolgante! Fico imensamente feliz que tenham gostado daqui. :)
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