sábado, 26 de fevereiro de 2011

A fumaça que passa da tua boca pra minha. Aquele gosto de cigarro misturado com a bala de menta que você desembrulhou há cinco minutos. A tentativa pífia de não me entregar ao teu corpo, me embriagar na tua saliva, me derreter no teu calor. Montanhas e vales, pistas, curvas. Tuas unhas vermelhas rasgando-me a carne, como o amanhã nunca mais fosse chegar. Lasciva, mas também ingênua. Quantas facetas já me foram reveladas? E enquanto um breve impulso percorre minha cabeça, você já me leva para o outro caminho. E me dá a transcendência, numa babel de sons e cheiros e sabores. E, depois, é barco em porto seguro. Rubor. Os dois compartilhando a fumaça que passa da tua boca pra minha. Aconchegados. Inebriados. Satisfeitos.

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