segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Camboriú

O cheiro úmido e salgado atingia-me as narinas, e eu lembrava outros tempos, tempos fugidos que eu não poderia alcançar novamente. As ondas quebrando em muita espuma, verde branco verde branco. Areia quente. Então a vi. Um rabo-de-cavalo displicente a lhe cair pelas costas, sobre o roxo bem roxo da saída de praia. Belíssimas pernas, pernas estonteantes, que seguiam até findarem em ternos pés, cujas unhas eram pintadas de azul. Não, não consigo descrever a profusão de sentimentos pela qual fui tomado. Por Deus, era linda demais! E eu cá, a uns quinze metros, reles mortal metido numa bermuda e todo molhado de mar. Contemplei-a um instante mais, até que ela volveu o rosto à minha direção. Sorriu. Retribuí, exibindo meus dentes não tão brancos como os dela. Súbito, uma prancha passou por mim. Finalmente vi os braços do surfista envolverem a minha miragem. As duas bocas se encontraram. E eu, sentindo-me triste e tolo ao mesmo tempo, tive de me contentar com a visão do papai noel de dez metros de altura, que adornava, grave e vermelho, o calçadão da Avenida Atlântica.

8 comentários:

  1. Como sempre, você escrevendo maravilhosamente bem...

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  2. As palavras pingam intensas; intensas e inesperadas feito as gotas das chuvas de verão. Quanto sentimento, Douglas, quanta ênfase!
    Acredite, senti o cheiro das ondas aqui.

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  3. isso aconteceu de verdade?
    pq pela descrição maravilhosa do texto parece que sim =]
    adorei!

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  4. Mas que droga;
    Me surpreendeu outra vez. Hunf.

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  5. Que linda, simples e convidativa! Parabéns pelo blog, Ana! Sempre passarei por aqui, preciso de blogs assim, escrevo palavras loucas e melancólicas, apenas blogs intensos para me acalmar. rs
    seguindo!

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  6. Lindas palavras, me encantou! Ah tem um selinho no meu blog pra você (= http://umprofundosentimento.blogspot.com/2010/12/lindos-adoraveis.html beijão!

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  7. E se foi para mim... Bem Ana é a personagem do post, enfim... Eu não sou a Ana.

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  8. Pessoal, muitíssimo obrigado!

    p.s.: Arianne, se seu comentário foi mesmo para mim, eu, definitivamente, não me chamo Ana (risos)

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