sábado, 11 de dezembro de 2010

Marlboro Gold

Quando a conheci, ela fumava. Pretexto, lhe pedi um. Senti aqueles olhos de vidro e de água sobre mim, e sorri - não tinha nada a perder. Ela abriu o box. - Tem fogo? Eu tinha, mas não o admiti. - Acende aqui no meu, disse-me rindo, como soubesse e quisesse. Pois soube e quis. Com a boca, aproximei o meu bastão do dela, já pela metade. Transferiu-se o calor e ambos passaram a mandar sinais de fumaça. Não me afastei; não nos afastamos. Caíram os cigarros e ficaram lá conversando, vozes plúmbeas e vaporosas. O sabor eterno do fumo, para mim, veio acompanhado de arrepios.

7 comentários:

  1. Sou adepto do vermelho, mas isso ficou muito bom! haha

    ResponderExcluir
  2. Arrepios aqui também. Você não escreve, Douglas, você pinta cenários,desenha personagens.

    ResponderExcluir
  3. Diferente, envolvente
    como tudo aquilo que vem de você neh.
    Amei!

    ResponderExcluir
  4. um escrito noir, eu diria.


    obrigado pelas visitas e palavras smpre, meu caro!


    abraços e bote mais fumaça nisso!

    ResponderExcluir
  5. Muitíssimo obrigado, pessoal! Obrigado mesmo!

    ResponderExcluir