domingo, 19 de dezembro de 2010

Terminal

E de repente aquela menina me pareceu tão triste! No alto do seu metro e dez, balançando a mãozinha numa despedida silenciosa, os olhos caídos e sem brilho. De dentro da blusa azul-turquesa, ela dava adeus. Mirou o ônibus uma vez mais, e através do vidro viu outro par de mãos a acenar. Não devia ter mais de seis anos, mas dava a impressão de ter vivido sessenta de desencontros. Como pode, pensei, tão nova e já sofrendo tal golpe? O avô puxou-lhe a manga, vamos minha filha. E ela foi. Deu as costas para o coletivo e avançou tremendo. Tão triste... Ela me lembrou você.

10 comentários:

  1. Own, lindo post. O de sempre: Fantástico!

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  2. Os desencontros são dessas situações que envelhecem alguém muito mais que o próprio tempo.
    Que cena! Que sentimentalismo!
    Belo, belo.

    Beijo no ombro.

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  3. Lindo e cheio de ternura,
    a despeito da triste despedida.

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  4. Cara, tá muito bom! A escrita está forte e envolvente. Consegui enxergar a cena. Fantástico!

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  5. Eu gosto da maneira como escreve, como me prende ao texto.
    Teu blog é maravilhoso.

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  6. Bonito, rapaz - tocante.

    ***
    Estou e não estou de volta: saí do Twitter e não sei se voltarei a postar lá naquele espacinho, que você conhece, aquele lá, sem o menor senso.

    Um final de ano bom e um 2011 cheio de sucesso para você,
    com carinho,
    do Velho

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  7. Prendeu-me por total no texto, amei. Simplesmente inovador. Passarei por aqui mais vezes.

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  8. OMG! Incrível ainda é uma palavra que expressa de longe esse texto. Eu amei muito! ;D

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